Tania Fonseca | Comportamento

Namoro na infância? O que tem de bom isso?

Educadora chama atenção para o encurtamento da infância e a adultização precoce.

Publicado em 12/06/2017

Tania Fonseca

Tania Fonseca - Comportamento

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Namoro na infância? O que tem de bom isso?

Diariamente ouvimos crianças falarem que namoram com fulano na escola e levam esta informação para casa e, na maioria das vezes, estas atitudes são valorizadas pelos pais.

 

Vemos que há famílias que acham engraçada esta situação, colaboram enfatizam, auxiliando na compra de presentes ou falando sem receio algum, sobre isso, nas portas das escolas e nos encontros dos grupos de pais. Porém, há também aqueles que se incomodam, dizendo aos filhos que criança não namora.

 

Na escola, nossa preocupação é com o encurtamento da infância e a “adultização” precoce. Não temos como negar que, a partir do momento que valorizamos essas “brincadeiras” de namoro, permitimos que os comportamentos das crianças, sejam diferentes de brincadeiras pertinentes à sua faixa etária.

 

Percebemos que as crianças que dizem que estão namorando se preocupam em ter um comportamento com o “par” diferente do que as outras crianças, que estão envolvidas em brincadeiras legítimas da infância. Sabe por quê? Porque por mais que sejam crianças e não tenham dimensão disso, já se preocupam em ficar somente com seu par, se recusam a compartilhar espaços, brincadeiras e possibilidades com seus amigos, adotando um tipo de relação que envolve o namoro. É muita responsabilidade para uma criança! Quando as crianças brincam de papai e mamãe, elegem essa brincadeira relacionando-a muito mais aos cuidados da “casa” e dos “filhos” do que à relação amorosa. Já no namoro, pelo que entendem ou vivenciam, querem viver a intensidade do relacionamento.

 

Vocês acham isso saudável?

 

Muito interessante a colocação do educador Fernando Flores quando diz: “Acho muito interessante pensar que, ao assumirmos para as crianças que namorar não faz parte da vida infantil, liberamos as crianças para que tenham suas relações de amizade, seja com meninas e meninos, livres de pré-concepções relacionadas aos adultos".

 

Sob o nosso ponto de vista, cuidamos para guardar a infância o que é dela: conhecimento de si e do outro por meio de convívio e da brincadeira. Aqui na escola, valorizamos a amizade e as relações intensas entre meninos e meninas, proporcionando e compreendendo que as afinidades nas brincadeiras e preferências são normais.

 

Entendemos até que, em determinados momentos, algumas crianças falam que namoram, mas não passa de uma brincadeira. O que precisamos ficar atentos é quando essa situação envolve a valorização das famílias, gerando uma mudança de comportamento da criança na escola, prejudicando suas relações.

 

 E você, o que pensa sobre isso?

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Sobre o colunista

Tania Fonseca

Pedagoga e Pós-graduada em gestão educacional e distúrbios de aprendizagem. Diretora Escolar e vasta experiência em Orientação Educacional e familiar.
Criadora do Projeto Escola de Pais e de Orientação Familiar.