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Entenda o autismo

Transtorno é mais comum em meninos e manifesta-se nos primeiros anos de vida.

Publicado em 25/09/2017

Laís Bola

Laís Bola - Conteúdo Somos Mães Agência Digital

Somos Mães de Primeira Viagem
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Entenda o autismo

O transtorno do espectro autista, comumente conhecido apenas como autismo, tem estado bastante em voga atualmente e, sim, precisamos cada vez mais nos informar e discutir sobre o assunto, para que possamos entender, diagnosticar e tratar o quanto antes. 

 

O autismo é um distúrbio neurológico que afeta todas as áreas do desenvolvimento, como explica a pediatra Maria Regina Andrade: “O principal foco desse acometimento é a área da comunicação. São crianças que tem um atraso de fala, porém isso não é só um atraso na expressão verbal. É um comprometimento na maneira como essa criança se comunica”.

 

Para o especialista em neurologia infantil Dr. Saul Cypel, o autismo é um transtorno complexo do desenvolvimento observado em crianças, predominando nos meninos e manifestando-se nos primeiros anos de vida. “Caracteriza-se por alterações comportamentais que se expressam na interação social e na comunicação, prejudicando o seu desempenho cognitivo e emocional. A ocorrência de crianças com quadros autísticos veio crescendo nas últimas décadas havendo referência atual de 1:60 (1 caso para cada 60 crianças)”. 

 

Sintomas

 

O neurologista listou para nós no que os pais precisam prestar atenção:

 

"Os sintomas nucleares são, como foi dito, prejuízos qualitativos na interação social e na comunicação. Verifica-se uma dificuldade da criança em se relacionar com outras pessoas, inclusive familiares, fazendo contato visual ocasional e fugaz, observado já precocemente e referido por algumas mães dizendo que seu bebê não a olhava enquanto mamava. Há uma tendência a isolar-se preferindo brincar só, não enturmando, sem estabelecer uma relação com os colegas e amiguinhos.

 

O desenvolvimento da comunicação por meio da fala mostra-se limitado ou ausente, não emitindo palavras, ou só alguns rudimentos sonoros. Outras vezes observa-se uma produção farta de sons variados sem compor palavras reconhecidas, como se estivesse falando outro idioma, o que qualificamos como jargão. Ou, então, será capaz de emitir poucas palavras ou frase curta, porém sendo a fala bastante aquém à da sua idade.

 

Envolve-se com os seus interesses e não responde ao ser chamado, ou eventualmente o faz, dando a impressão muitas vezes como se não estivesse ouvindo. É sempre prudente excluir a concomitância de deficiência auditiva.

 

Embora estas sejam as manifestações cardinais, outras poderão associar-se, porém são complementares: ordenar rigorosamente seus carrinhos, enfileirando-os; movimentos estereotipados como os “flapings” com as mãos quando está mais excitado (como bater de asas); baixa tolerância ao ser contrariado com intensas crises de birra; andar na ponta dos pés; ecolalia (repetição da fala de outra pessoa, como repetição de palavras e frases), e outros.

 

Como este conjunto de manifestações pode apresentar variações nas suas características e intensidade, o mais apropriado atualmente é falar-se em Espectro Autista”.

 

 

A doutora Maria Regina explica que não há um exame para detectar o autismo, o diagnóstico é feito clinicamente, por observação, check-lists e questionários pré-estabelecidos, por isso, é super importante que os pais fiquem atentos aos sintomas.

 

Há como prevenir?

 

Ainda não foi comprovado cientificamente qual é a causa do autismo, há duas vertentes que são discutidas: a genética e a participação do ambiente, então, ainda não se sabe como prevenir de fato.

 

Para o Dr. Saul, deve existir uma participação de ambos com maior predomínio do ambiente no qual a criança se desenvolve: “O trabalho de prevenção deverá basear-se na orientação dos pais e na compreensão de suas funções desde a gestação, oferecendo acolhimento afetuoso ao bebê desde os momentos em que está sendo gerado. Por outro lado, pais esclarecidos sobre como se dá o desenvolvimento poderão precocemente identificar quando algo não está dentro do esperado. Será importante essa verificação pois crianças com alterações precoces interacionais serão assim identificadas e a orientação profissional terá oportunidade de buscar uma adequação no processo; quanto mais precoce for o diagnóstico e a intervenção melhor será o prognóstico”.

 

Tratamento

 

O tratamento correto é essencial para que a criança autista possa estabelecer vínculos: “Ou seja, desenvolver sua condição psíquica promovendo a interação com o ambiente que a cerca, principalmente com pessoas (familiares, colegas, outras crianças) tolerando as frustrações de que o mundo não roda somente como deseja e lidando com as regras e rotinas do dia a dia”, comenta Dr. Saul.

 

As terapias de reabilitação são super importantes para o tratamento. A pediatra Maria Regina explica que a mais importante é a fonoaudiologia, que deve ser começada o mais precocemente possível: “Se você atende uma criança de dois anos que não fala nada e se ela tem algum desses sintomas comportamentais (movimento estereotipado, mania), o que inicia os tratamentos é a fonoaudiologia. Ao longo do tempo, conforme a criança for crescendo, variando o comportamento, a psicologia, a terapia ocupacional, a musicoterapia, também podem auxiliar. A frequência à escola é o mais importante. Escola usual, escola regular e, com o passar do tempo, se essa criança for se desenvolvendo cognitivamente, mas precisar de ajuda, a gente pode ter a presença de um mediador, que fica com a criança ajudando-a a compreender o currículo e a matéria acadêmica em si e a conviver com as outras crianças”.

 

O neurologista completa que também é necessária uma consistente orientação dos pais, em alguns casos poderá propor-se a terapia de família.

 

Os remédios nem sempre são indicados, mas existe também tratamento medicamentoso sintomático: “Se a criança está muito agitada naquele momento, agressiva, se tem dificuldade de aprendizagem ou déficit de atenção associado, às vezes, com o conjunto de medicação você consegue ajudar bastante essas crianças, adolescentes e adultos autistas”, finaliza Maria Regina. 

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